Esta é uma tradução do post The Great Peer Learning Pyramid Scheme, de Philipp Schmitd, publicado originalmente em inglês no site DMLcentral.

Frequentemente me fazem estas perguntas: Essa tal aprendizagem entre pares funciona mesmo? Mas não precisamos de especialistas para aprender? O (proverbial) cego pode realmente guiar outro cego? São boas perguntas e eu já vou voltar a elas. Mas há uma outra pergunta sobre a aprendizagem entre pares que não costuma ser feita, e que é sobre o que eu gostaria de falar neste post:

A aprendizagem entre pares seria a (única) resposta para escalonar o aprendizado significativo e a educação para uma população mundial em crescimento?

Aprendizagem entre pares

Vamos falar rapidamente sobre o primeiro conjunto de perguntas. Aprendizagem entre pares funciona porque o conhecimento não é algo derramado em nossas cabeças por um especialista, mas construído por nós mesmos. Aprendemos ao mexer e remexer novas idéias, experimentá-las, praticar a sua aplicação e observar a nós mesmos no processo. Todas essas etapas se beneficiam da colaboração com os outros. Pares podem nos dar feedback ao longo do caminho, podem estimular-nos quando estamos desmotivados, ajudar-nos quando enfrentamos um problema particularmente difícil e podem segurar um útil espelho no qual podemos observar a nós mesmos. Na verdade, nossos pares podem fazer tudo isso melhor do que os especialistas. Pares costumam ser mais semelhantes a nós do que os especialistas. Eles podem ter empatia com os problemas que encontramos e explicar as soluções que eles encontraram de uma forma que faça sentido para nós. Eles são melhores do que um expert, que muitas vezes não consegue se lembrar de ter feito as perguntas (mundanas) que nós podemos estar fazendo.

Se você ainda não está convencido de que a aprendizagem entre pares funciona, por favor dê uma olhada no Estudo de Avaliação de Harvard que mostrou que o indicador de sucesso mais confiável para um estudante universitário de Harvard é a sua capacidade de formar ou participar de um grupo de estudo. Harvard!

Recentemente, eu estive mais interessado na segunda questão. Enquanto a nossa população mundial cresce, mais pessoas precisam ter acesso à educação. Sabemos que o modelo tradicional de construir escolas e universidades e dar aulas expositivas não pode ser escalonado a ponto de acomodar os bilhões que estão prestes a chegar na frente das torres de marfim. Muitos têm a esperança de que a tecnologia seja a solução mágica para a ampliação da educação. Dispositivos inteligentes irão orientar cada aluno através de percursos de aprendizagem personalizados em direção a uma pontuação perfeita em um teste padronizado. Neste cenário, nós (quem é esse “nós” não está totalmente claro) sabemos exatamente o que todo mundo deve aprender, e podemos melhorar a eficiência da forma como eles aprendem. A ênfase está na eficiência. Não no aprendizado.

Aprendizagem entre pares, amparada pela tecnologia, oferece uma alternativa mais atraente. Para ser claro, eu não sou de todo contra a tecnologia. Mas eu sou a favor de um determinado tipo de tecnologia, a tecnologia que reúne pessoas e ideias, e que torna mais fácil colaborar e se conectar. Em outras palavras, eu espero que a tecnologia possa nos ajudar a escalonar o grande aprendizado que acontece naturalmente quando as pessoas se reúnem para trabalhar em coisas que acham interessantes.

É aqui que entra a tal pirâmide. Imagine por um momento que a sabedoria é como uma pirâmide. A pessoa no topo sabe o máximo sobre algo, e todos abaixo sabem um pouco menos, e assim por diante, até a base da pirâmide, onde se encontram aqueles que estão apenas começando. (Nota: Eu não gosto da associação de cima para baixo, mas vamos voltar a isso em algum outro ponto.)

Para aprender, você precisa de acesso a algumas pessoas ao seu redor. Alguns dos que estão logo acima da sua posição vão saber um pouco mais do que você, mas, por não serem tão diferentes de você, conseguem ter empatia com suas dúvidas ou problemas. Da mesma forma, não faz mal ter contato com algumas pessoas logo abaixo de você. Enquanto você as ajuda a responder às mesmas perguntas que recentemente você respondeu, vai praticar mais o seu próprio conhecimento e estratégias. Ensinar os outros é uma das melhores formas de aprendizagem.

Ter acesso à pessoa no topo da pirâmide pode ser útil às vezes, mas os problemas e questões que a preocupam normalmente serão muito diferentes das nossas. Há um caso especial a mencionar aqui. Os melhores professores são muito adiantados, mas, quando ensinam, eles essencialmente “personificam” alguém que está perto de você. Mas grandes mestres não são escalonáveis, porque eles não podem falar com cada um abaixo na pirâmide.

O interessante sobre este modelo é que em qualquer local na pirâmide você tem acesso ao grupo certo de pessoas ao seu redor. Em outras palavras, o sistema de apoio necessário para aprender está disponível. Para todos. Aprendizagem entre pares funciona e é escalonável.

A aprendizagem entre pares também nos ajuda a aprender outras coisas: nos envolver com outras pessoas, comunicar as nossas ideias e tentar entender as deles, negociar diferentes interesses e perspectivas, e colaborar em projetos conjuntos. Estes são os tipos de habilidades não-cognitivas que podem ser mais importantes para encontrar um emprego e viver uma vida bem sucedida. E, enquanto a população mundial aumenta para algo em torno de 10 bilhões de pessoas, espremidas em um pequeno planetinha, conviver uns com os outros e trabalhar juntos não vai ser uma opção, mas uma necessidade.

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Renato Carvalho

Designer, Mestre em Design de Tecnologias Educacionais pela Universidade de Toronto. Trabalha por uma Educação focada no estímulo à criatividade, colaboração, autonomia, iniciativa e pensamento crítico.

One thought on “O Grande Esquema de Pirâmide da Aprendizagem entre Pares

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