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“Children” é um premiado curta de animação dirigido em 2011 pelo japonês Takuya Okada. É difícil permanecer indiferente após os 4 minutos do filme que mostra de forma sombria e perturbadora a rotina escolar de crianças idênticas, numeradas e com zíperes no lugar das bocas.

O filme é uma amarga crítica à educação japonesa – frequentemente acusada de repressora e desumanizadora – e permite inúmeras interpretações. O que significa o cachorro preto? E o trem? E as máscaras dos professores? Por que as crianças agem daquela forma no jogo de futebol? Por que o menino tem um ataque de risos?

E você, o que acha? Assista o vídeo acima e deixe sua opinião na nossa área de comentários!

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Renato Carvalho

Designer, Mestre em Design de Tecnologias Educacionais pela Universidade de Toronto. Trabalha por uma Educação focada no estímulo à criatividade, colaboração, autonomia, iniciativa e pensamento crítico.

10 thoughts on “Assista “Children”, uma perturbadora visão da escola e da infância no Japão.

  1. Teor bem forte, o que extrai foi uma escola extremamente repressora, com professores e alunos vistos como números, muita melancolia, falta de natureza, ausência de pessoas/população, falta de vida…muito barulho, um polo industrial sem qualquer controle de poluentes. Um cachorro que gosta de seu dono, no caso a criança, mas com pouca afetividade. Crianças sem voz ativa, educadas de maneira robotizada…só não entendi as risadas e os vidros quebrados…o final me deixou um pouco confusa.

  2. Está claro no video que o objetivo é a perfeição , as crianças não podem ser crianças (rir , brincar , se divertir , errar , cair) elas tem que ser boas , TODAS elas . Talvez por isso o placar sempre 10 a 10 porque todos tem a mesma obrigação de serem perfeitos e os numeros nas suas cabeças podem representar que eles não são visto como pessoas , mas sim como mais um super asiático que carrega o fardo de ser gênio em tudo o que faz . Não entendi muito bem o cachorro e o trem mas acredito que tem algo a ver com libertação .

  3. A uniformização dos alunos, são mecanicamente marcados com um número, não tem nome identidade própria, personalidade, as notas iguais, o jogo sempre empate representa um sistema opressor que não permite que cada um se expresse. O cachorro representa atitudes livres que gostaria de tomar, mas sempre é cortado pelo trem (o sistema escolar) por fim ele consegue abraçar seu cão e é atropelado pelo trem relacionando a reação do opressor, ele cai sangrando, mas feliz por ter feito o que queria.

  4. Angustiante. O filme monocromático expressa com clareza a falta de liberdade de expressão e de ação.
    Educação massificada, onde a criatividade individual nao é permitida. Resulta no comportamento dos japoneses adultos que só conseguem fazer alguma coisa ou construir em grupo. A ingerência do Estado e tradição secular é metaforizada pelo trem. O cão, livre para correr e correr riscos, foi novo paradigma, por isso o riso. A escola repressiva produz autômatos.

  5. Acho que é mais ou menos assim.
    Ele gostava de cães de rua, mas isso era algo fora do padrão da sociedade.
    E isso iniciou o questionamento dele, quando ele viu o primeiro cão ser atropelado pelo trem.
    Tudo ser padronizado acabou por desumanizar os alunos, que não ligaram pro segundo animal sendo atropelado pelo trem. Todos marcados com números, com o mesmo resultado nas provas. O modo como elas jogam depois confirma a desumanização, o que o adulto vê são crianças jogando, mas as crianças não sentem nem uma empatia com aquele jogo.
    Para o adulto tudo o que conta é a nota máxima. Mas em um momento houve uma revolta. A criança surtou e abriu a boca de forma assustadora as outras crianças também abriram a boca de forma assustadora e quebraram o colégio.
    Quando a criança vê mais um cão indo para a morte ele fez o que queria, agora ele não ligava para o que era normal ou não, ele correu e pulou arriscando a vida para salvar o cão.
    No final ele ri, foi legal viver aquela emoção de quase morrer atropelado salvando o cão, saindo totalmente do padrão.
    A música é a Marcha Fúnebre de Chopin, quer dizer que o sistema desumanizado vai perder as crianças, condenando o próprio sistema e toda a sociedade à morte.

    Foi isso que eu entendi.

  6. Ao meu entender, tudo era rotina, todo dia a mesma coisa se repetia, ir a escola, fazer prova, fazer atividade física e ir embora. A simples rotina de uma maquina onde todo dia tudo é exatamente igual ao dia anterior. Professor com mascara: Não demonstrar expressão, apenas ensinar o que deve ser ensinado. Agem daquela forma no jogo porque foram ensinadas a por a bola dentro do gol (apenas o objetivo) e não a disputar. A risada é pelo simples contentamento de fazer algo diferente (quebrar a rotina), fugir do sistema automático.
    A critica é boa, todavia o Japão mesmo tendo uma educação regrada, é simplesmente um exemplo para o mundo, afinal eles estão anos a frente de qualquer nação.

    • Por mais que eu concorde na questão de que, estatisticamente, a educação no Japão possa ser incrível, como mostrou no vídeo, também é massacrante. Não é a toa a estatística alta também de jovens que se suicidam lá por conta dessa pressão. Digo isso, porque eu sou descendente e, por mais que eu não tenha vivido lá, eu conheço um ‘respingo’ da cultura opressiva e ditadora nesse aspecto em tentar sem melhor sempre e, com certeza, eu digo que não é saudável. Me dói muito, incomoda, tortura e depois as pessoas acham que você ser inteligente é mérito da sua raça, mas não é bem assim.

  7. Concordo em partes com o Israel…Vejo o cão como a alma do menino que se vê liberta, correndo feliz, mas se depara com a realidade (trem).As máscaras dos professores são máscaras sociais que adquirimos ao crescer e, com um acréscimo de que, com o aprendizado vc ganha a máscara também de um professor.
    Ele vê novamente o cão como uma vontade novamente de correr e se libertar, mas é direcionado a realidade (trem) novamente que atropela essa vontade e o impõe a ser o mesmo. Tirar dez, ser ótimo, praticar esporte, fazer arte, tudo mecanicamente. Por isso as pinturas são iguais, não existe imaginação, prazer na criação, só a obrigação.
    Dessa forma, é visto o jogo de futebol, que nada mais é que uma obrigação social, na qual todos jogam, mas só quem se mostra contente é o professor.
    Por último, o grito foi a libertação. Mas não no sentido de que ele enfim será feliz, mas de que ele não aguenta mais essa realidade assim como todas as outras crianças. então quando todas correm ele vê pela terceira vez sua alma correndo em direção a realidade esmagadora, mas ele não deixa por que no fim, ele se mata para libertar a sua alma.
    O riso aterrorizante foi uma característica fantástica (porque o menino está morto) de mostrar ele “feliz” ( humor negro) por ter libertado finalmente sua alma para correr em paz e ser feliz.
    Não existe essa opção de vc não querer mais ir à escola, ou tirar notas baixas, então o caminho mais fácil pra libertação é a morte.
    Essa foi minha interpretação. Disse outra vez num outro comentário e repito nesse, sou descendente de japonês e acho que entendo um pouquinho essa cultura da pressão em ser boa, se exigir, etc. Mas, ao contrário do que as pessoas pensam de que os orientais são inteligentes, na verdade não é bem assim. A gente luta pela imagem, o orgulho e a ‘honra’, então ter notas boas é consequência dessa massiva educação, mas isso nem sempre é dizer que isso é ótimo, pois os número de suicídio no Japão estão aí pra comprovar. É realmente muito difícil manter essa imagem ou mesmo se desviar dela e tentar ser diferente.

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